sábado, 26 de janeiro de 2008

A Lenda das Amendoeiras




O rei dos Algarves confessou
que mandou raptar a Princesinha do Norte.
Acontece que por ela se apaixonou,
tendo assim muita sorte.


O seu coração quer conquistá-la
mas ela não se quer casar.
O Rei Mouro ouve Fagundes
que tem uma coisa para acrescentar:

– A Princesinha tem saudade
da sua preciosa neve.
É essa a preciosidade
que gostaríamos de dar em breve.


O Sábio começa a pensar,
Mas o Rei não compreende.
Então o Sábio aproveita para falar
sobre o que o soberano não entende:


– A Princesa tem saudades,
Como os prisioneiros que estão no subterrâneo,
que fizeram muitas maldades,
não podendo ver o sol.


O Bobo aproveita para falar:
– Como os meninos que estão na escola
e têm saudades da bola!
E Aldonça começa a acrescentar:


– Todas as manhãs a princesa
abria a janela,
para olhar a beleza
dos campos que eram dela.

– E era lindo, ela tinha razão!
Tudo branco como as nuvens do céu!
Parecia uma ilusão
que se abria num véu.


– Imagina, ó Rei,
que juntavas toda a espuma do mar!
Olha que eu bem sei …
que isto ia resultar.


O Sábio acrescenta dizendo:
– Concordo! Mas há a ilusão.
E o Rei Mouro, não compreendendo,
pensa que é imaginação.


– O que vem a ser isso de ilusão?
Mais uma invenção tola, não é?
– Esta agora vai dar resultado, Rei! -
disse, batendo no chão com o pé.


– Dai-me plenos poderes,
pondo tudo e todos à minha disposição!
E o Rei Mouro, convencendo-se,
deu a sua opinião:


– Tudo e todos!
O sol, as estrelas e o mar …
É a história do costume.
Quis ouvir então o Sábio falar:


– Não! Em primeiro lugar,
mandai estes amigos fazer-lhe companhia,
e amanhã, ao acordar,
a Princesa dará um salto de alegria.

Começa a cochichar ao ouvido do Rei:
– Boa ideia! Mas já não tenho esperança!
– Olha que eu bem sei.
Seria bom teres mais confiança.


– É dia Princesa!
– Depressa, depressa!
– Oh, mas que beleza!
A minha neve que regressou!


– Veja menina, que beleza!
– O quê? Mas isso são …
– Cala-te! Olha para a natureza!
– O que vale é a ilusão!


– Tão lindo, o meu Algarve!
Oh, que feliz que eu sou!
E o rei Mouro numa voz grave,
falou, falou, falou …

– Sábio! O que fizeste para as amendoeiras
florirem este ano mais cedo?
– Magia de mil e uma maneiras,
mas isso é segredo.


– Sinto-me, finalmente,
feliz na tua terra -
disse ela toda contente,
espreitando para a serra.


– E estais disposta a fazer-nos felizes, a todos,
casando com o nosso Rei?
– Sim! De todos os modos,
que eu bem sei!


– Obrigada, Rainha do Algarve!
Disseram todos com voz grave.
E a Moura começou a falar
numa voz de encantar.

– Que casamento tão lindo
que se vai realizar,
da Princesinha da neve
com o Rei cor do luar.


As flores da amendoeira
É que hão-de enfeitar.
E a Princesinha do Norte
Sempre aqui há-de reinar.

Verónica Gonçalves, 6.ºA